sexta-feira, 6 de março de 2026

 A REALIDADE...


    Fiquei pensando que muitas vezes a realidade não condiz com o que sentimos e nunca vai ser 100%, pq somos diversos. Somos seres carregados de significados. Uma coisa que significa muito para mim, pode não significar para vc...

    A realidade pode ser aversiva ou encorajadora. Aversiva quando penso “não vou dar conta”, “tenho medo” e aí vamos adiando e fingindo que a realidade não está lá, ficamos navegando só na superfície desse oceano misterioso. Ela é encorajadora quando resolvemos enfrentar e tentar mudar a nossa realidade, pode ser que demore, mas sempre que vc encara a realidade, haverá mudança. Mergulhamos fundo, pode ser uma mudança radical, algo como “ok, o que tem que ser feito? Toma fôlego e parte para a ação..” ou “É tudo isso mesmo? Acho que não dou conta, depois eu vejo isso” e voltamos para a superfície para respirar. Tantas coisas nos mantém na superfície…é agradável ficar nesse lugar: tem gente, tem barulho, as coisas que gostamos, as pessoas que amamos, os problemas dos outros, as fofocas da vida dos outros, dos famosos, as redes sociais, os influencers. Agora quando mergulhamos, vamos sozinhos, dá medo. Pode doer também, mas voltamos diferentes. 

Vc está na supefície ou tem mergulhado algumas vezes? 

    Gente, hoje eu estava inpirada e escrevi esse texto, acho que vou mandar para a Ana Maria Braga. Já imagino ela lendo isso de manhã lá no programa dela 😂. Não, agora sério, procure um psicólogo, procure ajuda profissional para ter ajuda, apoio e força para mergulhar. Eu admiro muito o trabalho dos psicólogos. Pena que muita gente tem preconceito, acha que é “coisa de louco” ou que o psicólogo vai dar conselhos e dizer o que vc tem que fazer (se fizer isso aconselho trocar de profissional). Já leram “A Biblioteca da Meia Noite”? Conta a história de uma mulher que vai para uma biblioteca e cada livro é uma versão diferente da vida dela, cada vida é o retrato das expectativas das pessoas sobre ela e me fez pensar o quanto nos distraímos com o barulho da superfície e vivemos a vida que esperam de nós e não a vida que escolhemos viver. Pense nisso. 




terça-feira, 6 de junho de 2023

Quando iniciei na Comunicação Alternativa

Foi lá em 2004, ainda no último ano de faculdade...nos últimos anos do curso, realizamos atendimentos na clínica escola sob supervisão dos professores. Recebemos uma família vinda do Japão, os pais eram descendentes de japoneses e tinham uma filha nascida lá. A filha teve problemas no parto e tinha paralisia cerebral diplégica espástica. Usava uma cadeira de rodas com um tampo adaptado, como se fosse uma mesa.
Imagem ilustrativa - Fonte Digitis Brasil 

A família era bilíngue: tinha contato com o idioma japonês e português brasileiro. Fui convidada para realizar a avaliação juntamente com um colega de sala que também é descendente de japoneses. Pesquisamos com nossos parentes que tinham mais conhecimento de japonês e preparamos a avaliação. Utilizamos figuras e as respostas não eram verbais, ficamos muito atentos aos movimentos, olhares, expressões faciais. 

A menina demonstrou compreender o que dizíamos nos dois idiomas e no caso do japonês, ainda sorria e olhava para a mãe quando errávamos a pronúncia. A língua é dinâmica e pesquisamos com pessoas mais velhas, no meu caso perguntei para minha avó (in memoriam, saudade Batian - vó em japonês). A mãe da menina explicava "ah, agora não se usa mais, usamos assim e dava o exemplo". É como se estivéssemos usando palavras antigas, de filmes e novelas de época e o surpreendente era ver que a menina percebia isso e achava até engraçado rsrs

Esta avaliação tornou-se publicação científica em 2006, reproduzo o trecho final:

"Um aspecto relevante, quanto ao processo terapêutico foi à orientação para a família quanto à utilização de procedimentos de comunicação alternativa por esta criança, pois esta demonstrou que com suas habilidades é capaz de se beneficiar destes procedimentos, ampliando suas possibilidades de interação, possibilitando participar de atividades comunicativas de modo mais independente, tendo possibilidade de iniciar atividades dialógicas, organizar seu discurso." 

Você pode acessar a publicação completa por este link: 

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Porque sumi...

Olá pessoal! Pretendo retomar esse blog a partir de hoje, antes tarde do que nunca! Muita coisa aconteceu nesse tempo em que não escrevi mais nada por aqui. O principal motivo do meu sumiço foi a maternidade. Sim, fui mãe por duas vezes! A maternidade nos sacode de um jeito que precisamos nos reinventar. Hoje concilio a maternidade, o casamento, o trabalho, os estudos, é corrido, mas dá tudo certo! Fiquem ligados que logo teremos novidades.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Divulgação do Trabalho do Fonoaudiólogo

Foi realizada uma aula para os estagiários em Psicologia Hospitalar da USP Ribeirão Preto no dia 27/11/09.

A aula foi ministrada por mim e abordou a atuação do fonoaudiólogo nas áreas de Motricidade Oral, Voz, Linguagem, Audiologia e Saúde Coletiva. Também foram relatados aspectos da Fonoaudiologia Hospitalar e Home-care, destacando-se a atuação em disfagia (dificuldade de deglutição).

O objetivo da aula foi passar uma visão geral do trabalho do fonoaudiólogo e dos diversos campos de atuação desse profissional.



Na foto: Os estagiários em Psicologia Hospitalar, a Psicóloga Érika Arantes de Oliveira e a Fonoaudióloga Silvia Tieko Kasama.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

E por falar em crianças...



Desde quando o bebê nasce, há uma série de expectativas em torno dele: "quando vai andar?", "e o primeiro dente?", "quando será que vai começar a falar?"...

A linguagem da criança é um processo com desenvolvimento gradual, que passa por várias fases.
As primeiras palavras surgem entre 1 ano a 1 ano e meio de idade (12 a 18 meses) e as primeiras frases entre 1 ano e meio a 2 anos (18 a 24 meses).




No início do desenvolvimento da fala, as crianças ainda têm dificuldade com palavras mais longas e para pronunciar alguns sons. É comum ouvirmos "abô" (acabou), "sisia" (passear), "pepeta" (chupeta), "tapo" (sapo).
A mamãe, o papai, a titia, o vovô, a vovó, todos se "derretem" ao ouvir a criança falando desse jeitinho.
Mas é importante lembrar que as pessoas que convivem com a criança são seu modelo de fala e que a criança tende a imitar aquilo que ouve.
A melhor maneira de contribuir para um desenvolvimento saudável de fala é oferecer um modelo correto. Veja um exemplo:

Criança: "Mãe, ó o "tachorru"
Mãe: Nossa filho, mas que cachorro bonito! Parece o cachorro da vovó!


Neste exemplo, a mãe ofereceu o modelo correto da palavra "cachorro" ao invés de reforçar o modelo incorreto "tachorru".

NÃO É RECOMENDADO: chamar a atenção da criança ou repreendê-la dizendo "vc tá falando errado" ou "fala direito".

Conforme a criança vai se desenvolvendo, é esperado que essas simplificações da fala sejam superadas e que ela já consiga falar corretamente todos os sons. Isso ocorre por volta dos 6 ou 7 anos de idade, época que coincide com o início da alfabetização.
Caso a criança inicie sua alfabetização com problemas na fala, a tendência é que ela transfira esses erros para a escrita.
Entretanto, não é preciso esperar que a criança complete 7 anos de idade para diagnosticar e tratar o problema de fala. Se você tem dúvidas quanto ao desenvolvimento da fala, procure um fonoaudiólogo ou escreva para mim, terei o maior prazer em esclarecer a sua dúvida!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A voz como instrumento de trabalho





Boa Noite! No mês de maio, eu escrevi e publiquei um artigo no Jornal Alumiar. Este artigo já contava com mais de 200 visualizações. Infelizmente, o site foi invadido e o artigo não pode ser acessado no momento. Então, reproduzo na íntegra, o artigo publicado:

A voz humana é uma verdadeira amostra de nossa personalidade, de nossas emoções e sentimentos. É através dela que exercitamos a linguagem falada e temos a possibilidade de utilizar palavras, cantar, rir, chorar...

Muitas vezes nem é a palavra que comunica, é a própria voz. Porém, utilizamos a voz de maneira tão automática que muitas vezes nem percebemos. Um exemplo: é comum telefonarmos para alguém e com um simples “alô”, já conseguimos notar ou supor se a pessoa está desanimada ou alegre, fechada ou mais receptiva, se é criança ou adulto, se é homem ou mulher. Quanta informação, não é mesmo? Conseguimos até perceber se a pessoa acabou de acordar! Aí dizemos: “Desculpa, eu te acordei?” e quase sempre respondem “Não, imagina, eu já estava acordado!”. É meus amigos, mas a nossa voz reflete o nosso estado físico e emocional. Ela é pura e verdadeira comunicação!

Muitas pessoas têm a voz como o seu principal instrumento de trabalho. É o caso dos cantores, atores, repórteres, radialistas, operadores de telemarketing, políticos, professores...e tantos outros mais. E você, utiliza a voz no seu trabalho? Segundo dados da Academia Brasileira de Laringologia e Voz (ABLV) mais de 70% da população ativa têm na voz o instrumento de trabalho mais exigido, mesmo que ela não seja o foco de suas atividades.

A ABLV ainda estima que 2% dos professores brasileiros (cerca de 25 mil professores) serão afastados de suas funções por problemas de voz (na laringe e pregas vocais), caso providências preventivas e terapêuticas não sejam tomadas.

A disfonia (problema de voz) pode se manifestar por rouquidão, cansaço ao falar, falhas na voz, ardência na garganta, dor ao falar, falta de volume e projeção, entre outros sintomas. Também pode se manifestar por meio de lesões nas pregas vocais. Uma das lesões mais conhecidas é o nódulo vocal (muito conhecido como “calo na corda vocal”).

Vários estudos apontam que o professor é um dos profissionais mais afetados pela disfonia e há uma série de fatores que contribuem para este dado: salas com acústica ruim, muitos alunos por sala, falta de orientação a respeito do uso da voz, fatores emocionais como stress e depressão (lembre-se que a voz reflete nossas emoções), além da baixa remuneração, o que leva a longas jornadas de trabalho e consequente uso abusivo da voz.

Seria muito importante que a orientação a respeito do uso da voz fosse oferecida ao professor ainda durante a sua formação profissional, pois a voz continua sendo o principal recurso didático de um professor.

As pregas vocais são as principais estruturas envolvidas na produção vocal e são constituídas de músculo e mucosa. Como qualquer outro músculo do corpo, eles se “cansam”, ou seja, podem entrar em fadiga e também envelhecem (perdendo a tonicidade com o passar dos anos). Exercícios de voz podem tornar estes músculos mais resistentes e até mesmo prevenir lesões. É o caso dos exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal, muito importante para aqueles que utilizam a voz intensamente, já que produzir voz é sinônimo de trabalho muscular. Se quisermos fazer uma comparação, é só lembrar dos atletas se preparando para uma competição ou treino: antes de iniciar, eles costumam exercitar os músculos através de movimentos específicos (aquecimento) e após o término do esforço muscular eles costumam fazer movimentos para relaxar os músculos (desaquecimento). E quem utiliza a voz no trabalho pode ser considerado um verdadeiro “atleta da voz”.

Na área de voz, o fonoaudiólogo é o profissional responsável por adequar a função vocal, a maneira como a voz é produzida. Esta atuação pode ser preventiva, de aprimoramento ou de reabilitação. O trabalho fonoaudiológico é realizado basicamente por meio de exercícios de voz e orientações, de acordo com as particularidades de cada caso.

Vamos ficar mais atentos à voz, afinal, como disse um dos maiores músicos de nosso país, Tom Jobim: “A voz humana é o instrumento mais rico que há.”

 A REALIDADE...      Fiquei pensando que muitas vezes a realidade não condiz com o que sentimos e nunca vai ser 100%, pq somos diversos. Som...